quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Meus Primeiros Pecados! Eu confesso...

Não cheguei a fazer o catequismo direito! Lembro-me que ia com meus primos a igreja à tarde e tínhamos aula com uma freira muito simpática, parecia com aquelas fadinhas dos contos de fábulas com véu na cabeça, uma doçura. Sinceramente não prestava muita atenção às aulas e nem me lembro muito do que era ensinado, só recordo que depois tivemos que confessar pela primeira vez com o padre e na minha vez a coisa desandou!!!
O padre pediu para eu confessar meus pecados! Eu respondi que não sabia quais eram meus pecados! Ele replicou que todo mundo pecava e eu deveria dizer os meus àquela hora para poder receber o perdão de Deus! Deu até o exemplo de perguntar se eu respeitava pai e mãe e era obediente. Eu respondi descaradamente que sim apesar de imediatamente naquele momento lembrar a minha última “malcriação” feita a minha mãe! O padre me olhava com cara de reprovação e inconformado com minha dificuldade de assumir algum vacilo do meu passado, mesmo eu tendo talvez naquela época apenas uns oito anos de história pra contar. Eu, incomodado com a situação e me sentindo meio constrangido, logo em seguida afirmei categoricamente: Eu não tenho pecado!!! O padre me olhou desta vez com muito mais indignação e raiva e simplesmente falou que eu já poderia sair do confessionário e ir embora, já que não tinha nada pra contar! Neste momento, eu muito confuso com a situação perguntei: E ai? Já estou crismado??? Ele respondeu: O que você acha??? E pediu pra chamar o próximo encerando a conversa. Conclui então que não recebi a crisma e fiquei frustrado.
Já fora do confessionário, meus primos que haviam se confessado primeiro e me aguardavam , logo vieram em minha direção e perguntaram como foi. Fiquei embaraçado em responder e assumi que não quis falar dos meus pecados e tinha dúvida se estava crismado ou não, já que o padre não foi claro, só insinuou! Percebi então que um dos meus primos estava muito nervoso e desconfiei, lembrando do olhar reprovador do padre, que talvez ele tivesse dito alguma coisa sobre nossas brincadeiras de médico para o pároco e por isto ele não ficou satisfeito com minhas respostas. Resolvi não aprofundar o assunto com meu primo e deixei pra lá...
Minha expectativa, depois de perder meu tempo indo assistir aquelas aulas todas religiosamente, era ser crismado para poder comungar e matar minha curiosidade em saber qual era o sabor da hóstia. Frustrou-se minha empreitada!
Tempos depois, já pré-adolescente, com menos medo de ir para o inferno e não muito freqüentador de igreja, resolvi enganar um padre e seus assessores de altar e entrar na fila da hóstia sem ser crismado! O gosto é de trigo puro! Não fiquei com a consciência pesada, mesmo com a cara de espanto da minha falecida prima que sabia que eu não era crismado. Saímos da missa rindo muito da minha ousadia!